quinta-feira, 24 de julho de 2014

The Rain Is Coming

A chuva vem, mas de onde, será do fundo do peito ou do alto do céu? A chuva vem, mas ela poderia demorar mais, porque às vezes não leva o que tem que levar, apenas molha todo o entulho e o deixa mais pesado.

Está tudo guardado, mas vai chover e a água vai fazer as comportas abrirem, não há mais lugar para se esconder. Quem dera a água me carregasse. Quem dera ela me arrancasse do lugar onde estou presa e afogasse de mim o que me prende.

Meus olhos já não enxergam tão bem, estão afogados nas águas que me sufocam. Me afogam. Invadem-me. Molham meu corpo, meu orgulho, minha alma. Águas geladas ou quentes? Qual é a temperatura da chuva? Não sou mais capaz de sentir. Mas sinto que sobre mim a chuva se abate. Cada pingo caindo como se fosse uma bala e em pouco tempo meu corpo já esta entregue, não há mais nenhum lugar em que eu não tenha sido atingida.

Não há o que fazer? Dentro desse mundo, esse mundo em ruínas sobre o qual a chuva cai impiedosa num ato de caridade. Esse mundo onde o desespero entorpece a alma que vaga. Esse mundo onde a única sinfonia é a da chuva caindo. Num mundo como esse choverá sempre ou a chuva um dia vai cessar? E se a chuva passar, a dor terá ido embora? Esse mundo conhecerá outra coisa que não a desordem?

Não há respostas para todas as perguntas, então eu digo apenas que a chuva vem, então que venha, que chova, que molhe, que inunde, que afogue. Que me leve e nunca mais traga de volta. 

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